CALCÁRIO

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O calcário é uma rocha que contém em sua composição carbonato de cálcio e magnésio, extraído de jazidas e amplamente utilizado na agricultura para neutralizar a acidez do solo, fornecer os macronutrientes cálcio (CaO) e magnésio (MgO), neutralizar o efeito fitotóxico do alumínio e do manganês e ainda potencializar o efeito dos fertilizantes e absorção de água. O processo de incorporação de calcário no solo denomina-se calagem.

A calagem é considerada um alicerce para agricultura, que assume grande importância em nossas condições de solo, onde a maioria destes teve sua formação a partir de rochas ou materiais de origem ácida, caracterizando a maior parte dos solos existentes em regiões tropicais. Sua prática é fundamental para o aumento da produtividade.

O calcário é classificado em função da concentração de óxido de magnésio (MgO), podendo ser calcítico (até 5% de MgO), magnesiano (5 a 12% de MgO) ou dolomítico (maior que 12% de MgO).

A qualidade do produto é mensurada pelo teor e natureza química dos constituintes neutralizantes, teor de cálcio e magnésio, granulometria, reatividade e efeito residual. O PRNT (Poder de Neutralização Total) determina a qualidade do calcário.

Antes de efetuar a distribuição do produto é imprescindível a análise deste para aferir a real disponibilidade das bases, de maneira que os valores assegurados pela empresa fornecedora do calcário sejam reais e não comprometa as recomendações técnicas.

QUANTO CADA TONELADA DE CALCÁRIO ADICIONA DE CÁLCIO E MAGNÉSIO AO SOLO?

 A cada 1% de CaO e de MgO, em uma tonelada de calcário/ha incorporado na camada de 0-20 cm de solo, fornece 0,01783 cmolc.dm³ de cálcio e 0,0248 cmolc.dm³ de magnésio ao solo.

A partir do pressuposto, se tiver um calcário com garantia de 32% de CaO e 16% de MgO por exemplo, resta multiplicar essa % pelos respectivos valores constantes para cálcio e magnésio, assim sendo:

32% CaO x 0,01783 = 0,57 cmolc.dm³ de cálcio em 1 tonelada

16% MgO x 0,0248 = 0,3968 cmolc.dm³ de magnésio em 1 tonelada.

Exemplo:

Em uma análise de solo, o nutriente cálcio apresentou 1,41 cmolc.dm³, e a CTC a PH7 deste solo é de 4,41, com isso, chega-se a saturação de cálcio na CTC.

%Ca na CTC=100 x 1,41 cmolc.dm³ Ca / 4,41 CTC = 31,97% de Cálcio na CTC

 Se desejar saturar esta CTC que já apresenta saturação por cálcio de 31,97% para 45% de cálcio, então basta fazer uma regra de três.

 1,41 cmolc.dm³  ————-  31,97%

X    ——————————–  45%

X = 1,98 cmolc.dm³ de cálcio para saturar a CTC com 45%.

Então.

1,98 cmolc.dm³ (necessita) – 1,41 cmolc.dm³ (apresenta no solo)

0,57 cmolc.dm³ de cálcio de déficit.

Sabe-se que cada % de CaO no calcário fornece 0,01783 cmolc.dm³ de cálcio e que o calcário citado apresenta 32% de CaO, multiplicando a % de CaO do calcário pelo fator de conversão (32% x 0,01783cmolc.dm³) tem-se 0,57 cmolc.dm³.

Sendo assim:

 1 tonelada ————— 0,57 cmolc.dm³ (calcario com 32% CaO)

X     ————————–0,57 cmolc.dm³ (déficit)

X = 1 tonelada de calcário (PRNT 100%), para fornecer cálcio que sature a CTC do solo em questão com 45%.

Memorizando as constantes para cálcio (0,01783 cmolc.dm³) e magnésio (0,0248 cmolc.dm³), na correção de perfil de 0 – 20 cm, fica facilitado os cálculos para saturação desejada do elemento.

Concluindo, o uso de calcário é de extrema importância para a agricultura em regiões tropicais, e sua utilização deve ser realizada a partir de uma recomendação técnica agronômica, embasada na análise de solo. Esses fatores aliado a qualidade de distribuição do corretivo são essenciais para uma agricultura de alto desempenho.

 

Luciano Mato Grosso

 

REFERÊNCIAS

 BRAGA. M.N.G. CALCÁRIO. QUANTO SE ADICIONA DE CÁLCIO E MAGNÉSIO PELA CALAGEM. NA SALA COM GISMONTI. PORTO ALEGRE, NOV. 2009.

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