CONTROLE QUÍMICO PREVENTIVO PARA GRÃOS DE MILHO ARMAZENADO

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FONTE DA IMAGEM: BIBOCA AMBIENTAL

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As perdas que ocorrem durante a fase de pós colheita são geralmente elevadas e irrecuperáveis por se tratar do produto final, não sendo passível de recuperação. Na fase de armazenamento especificamente, os índices de perdas são variáveis conforme o nível tecnológico, a forma de armazenamento e o clima local. Alguns princípios básicos devem ser observados para prevenção destas perdas, como a construção de estruturas armazenadoras tecnicamente adequadas, com equipamentos de termometria e aeração, reduzir ao máximo o teor de impurezas no lote de grãos, através de sistemas de limpeza; garantir a ausência de pragas e micro-organismos; e proceder corretamente quanto à manipulação e movimentação dos grãos.

Para a prevenção das perdas na armazenagem, devem-se combater insetos pragas de grãos armazenados.  O manejo destas pragas depende praticamente de três métodos de controle: inseticidas químicos (tratamento preventivo), inseticidas naturais à base de terra de diatomáceas (tratamento preventivo), e o expurgo com o inseticida fosfina (tratamento curativo). Esses três métodos podem ser usados isoladamente ou em combinação.

TRATAMENTO PREVENTIVO COM CONTROLE QUIMICO

Quando o armazenamento dos grãos for superior a 50 dias, pode se fazer o tratamento químico preventivo, que consiste em aplicar inseticidas líquidos sobre os grãos, na correia transportadora ou na tubulação de fluxo do produto, no momento de armazenar os grãos nos silos. Este inseticida deverá ser homogeneizado, de forma que toda a semente receba o tratamento. Este método protegerá os grãos contra o ataque de pragas que tentarão se instalar durante a armazenagem.

Para o tratamento é necessário instalar adequadamente o equipamento de pulverização, de maneira que todos os grãos recebam o inseticida. Durante esse processo, devem ser verificadas a vazão dos bicos e a da correia transportadora. Se houver necessidade, deve-se fazer o ajuste de acordo com as doses de inseticidas e de calda por tonelada de sementes.

Os bicos de pulverização devem sofrer inspeção periódica devido a possibilidade de entupimento ou mau funcionamento que pode afetar significativamente a uniformidade de aplicação assim como o volume de calda que deverá ser aplicado.

A figura abaixo ilustra um sistema preventivo de pulverização de inseticidas sobre os grãos na rosca sem fim transportadora de grãos. Esse sistema é simples e apresenta resultados satisfatórios na prevenção de insetos pragas em unidades de armazenamento de grãos de milho. Normalmente, utiliza-se ACTELIC 500 (PIRIMIFÓS METIL), na dose de 16ml do produto comercial por tonelada de grão e PROSTORE 25 (BINFENTRINA) na dose de 16 ml por tonelada de grão do produto comercial, pulverizado sobre a fita ou rosca transportadora de grão de maneira que o inseticida atinja completamente a massa de grão.

No reservatório de calda, atentar-se para um sistema de retorno, de modo que possibilite a mistura, assegurando homogeneidade na calda.

Os inseticidas indicados são deltametrina e bifentrina, para controle de R. dominica (besourinho dos cereais), e pirimifós-metíll, para S. oryzae (gorgulho do arroz) e para S. zeamais (gorgulho do milho). Para as demais pragas, geralmente se obtém elevada eficácia usando-se um dos inseticidas indicados na Tabela 1, salientando-se que são poucos trabalhos existentes na literatura que tratam da eficácia de inseticidas sobre outras espécies-pragas, uma vez que, normalmente, não são alvo direto de controle. Detalhes sobre os inseticidas citados, como doses, nomes comerciais, intervalo de segurança, entre outros, podem ser obtidos na Tabela 1.

Os inseticidas químicos protetores também podem ser utilizados para aplicações na superfície da massa de grãos em silos e armazéns graneleiros e também em blocos de sacaria, em armazéns convencionais e sementeiros. As pulverizações de superfície devem ser renovadas quando da limpeza das instalações. A limpeza das instalações e maquinários deve ser realizada antes da aplicação protetora ou a cada 60 dias, principalmente nas regiões e nas épocas mais quentes do ano, quando a atividade dos insetos é mais intensa. Também nos armazéns convencionais e/ou sementeiros, as aplicações de superfície nas pilhas e blocos de produtos ensacados, oferecem excelentes resultados.

Todos os cuidados inerentes a manutenção da qualidade do produto final é de extrema importância, pois evitar prejuízos e frustações futuras, assegurando a sustentabilidade do sistema produtivo.

Direto da redação

REFERÊNCIA

Texto originalmente publicado em: http://www.cnpms.embrapa.br/publicacoes/milho_7_ed/colpragas.htm
PIMENTEL, M.A. G; SANTOS, J.P; LORINI, I; CULTIVO DO MILHO. Embrapa Milho e Sorgo. 7 edição, set. 2011.

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Sobre o autor

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1 comentário

  1. Boa tarde, sou morador do RJ, minha dispensa está contaminadcontaminada com uma praga que parece umas borboleta bem pequenas, elas furam o saco de arroz e feijão e depois se proliferam ,dentro dos sacos ou qualquer outro recipiente que for armazenado. Pode me ajudar, já joguei compras fora, mas acho que vêm do supermercado.

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