Embrapa lança cultivar de capim-elefante de 5 metros de altura

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Capiaçu produz 50 toneladas de matéria seca por hectare/ano (Foto: Divulgação/Embrapa)

BRS Capiaçu, cortada cedo, chega a ter mais proteína do que a silagem de milho

Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG), comemorou 40 anos de fundação em novembro último. Na ocasião, lançou a BRS Capiaçu, uma nova cultivar de capim-elefante desenvolvida pela instituição. Quando houve o lançamento alguns produtores já conseguiram levá-la para suas propriedades. A procura pela BRS Capiaçu é grande, segundo a instituição. “Diariamente produtores de todo o país entram em contato com a Embrapa querendo adquirir mudas. O interesse se deve à qualidade da nova cultivar, cuja produção é de cerca de 50 toneladas de matéria seca por hectare/ano, média de 30% a mais do que as cultivares tradicionais. Entre as principais cultivares de capim-elefante, a BRS Capiaçu é também a que apresenta o maior teor de proteína”, divulga a instituição.

A Embrapa informa: “Capiaçu, em tupi-guarani, significa ‘capim grande’. A cultivar não nega o nome, ultrapassando cinco metros de altura. O resultado é alta produção de biomassa. Essa é sua melhor característica. A gramínea é indicada para cultivo de capineiras. No período da seca, pode ser fornecida para os animais picado verde no cocho ou como silagem”, adianta o pesquisador Mirton Morenz, da Embrapa.

Ele continua: “A vantagem de utilizar o capim verde é que, nessa condição, apresenta maior valor nutritivo. Quando o capim é cortado aos cinquenta dias chega a ter 10% de proteína bruta, índice superior ao da silagem de milho, com cerca de 7%”. O teor de proteína cai para 6,5%, com o corte aos 90 dias e 5,5%, se for cortado aos 110 dias. O processo de ensilagem também diminui a quantidade de proteína, que passa a ter um teor pouco acima de 5%.”

A BRS Capiaçu foi obtida por meio do programa de melhoramento genético de capim-elefante da Embrapa. A cultivar é o resultado do cruzamento de variedades pertencentes ao banco ativo de germoplasma de capim-elefante (BAGCE), mantido pela Embrapa. O Programa foi criado em 1991. A primeira cultivar desenvolvida foi a Pioneiro, lançada em 1996. Em 2012, lançou-se a BRS Kurumi, que por apresentar porte baixo é mais adaptada ao pastejo rotacionado, divulga a instituição.

Segundo a Embrapa, foram necessários 15 anos para se desenvolver esta nova variedade de capim-elefante. Outro pesquisador, Antônio Vander Pereira explica que uma série de cruzamentos e avaliações foram realizados. Os cruzamentos deram origem a cerca de dois mil híbridos, tendo sido selecionados apenas 50 materiais promissores, que foram testados em 17 estados. “Os híbridos com melhores resultados foram a BRS Capiaçu, com boa adaptação em todo o Brasil, e a BRS Canará, que apresentou boa adaptabilidade em capineiras para os biomas amazônico e cerrado”, ele diz.

Por Sebastião Nascimento; Revista Globo Rural

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