A importância do refúgio para a sustentabilidade na lavoura

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Especialista explica como as culturas transgênicas melhoraram a produção e de que forma essa tecnologia pode ser preservada

Foto Shutterstock

Para ter sustentabilidade na lavoura, o agricultor dispõe de diversas tecnologias e boas práticas, como o refúgio. Plantar uma parte da área destinada a soja ou milho com sementes convencionais ajuda a controlar o avanço da resistência de lagartas a sementes Bt, o que é importante para a preservação da eficiência das sementes transgênicas.

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Adriana Brondani, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), escreveu um artigo sobre a importância do refúgio para o campo e suas tecnologias.

Leia o artigo na íntegra:

Boas práticas: o caminho para a sustentabilidade

O alto índice de adoção da transgenia no campo, indicativo de sua eficiência, exige que a taxa de adoção do refúgio seja igualmente elevada

Não é possível falar de agricultura brasileira sem mencionar números grandiosos. Em nosso território, com práticas sustentáveis, emprego de tecnologia e agricultores comprometidos, produzimos a maior parte dos alimentos, fibras e energias renováveis consumidas em todo o mundo. Na safra 2016/2017, só em grãos, o País colheu 238,5 milhões de toneladas, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Por falar em grãos, soja milho permanecem como principais culturas produzidas no País. Os dois produtos correspondem a quase 90% do que é produzido. A soja alcançou uma produção acima de 114 milhões de toneladas (t) e o milho quase 98 milhões, distribuídas entre primeira e segunda safra. Não por acaso, estão disponíveis para essas culturas, além do algodão, a inovação das sementes geneticamente modificadas (GM).

Há outros números que impressionam. De acordo com o último levantamento do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Agrobiotecnologia (ISAAA), a área plantada com culturas transgênicas no Brasil foi 44,2 milhões de hectares, a segunda maior do mundo. Nessa área, aproximadamente 39% foi cultivada com plantas resistentes a insetos (plantas Bt). O cultivo da tecnologia Bt em grandes áreas pode resultar na seleção de pragas-alvo resistentes às toxinas Bt. Diante disso, a implementação de um programa de Manejo da Resistência de Insetos (MRI) é indispensável e o refúgio é a principal estratégia desses programas.

refúgio é uma área cultivada com plantas não Bt em lavouras de sojamilho ou algodão Bt cujo objetivo é produzir insetos suscetíveis às proteínas inseticidas que irão se acasalar com os insetos resistentes provenientes das áreas Bt, gerando novos indivíduos suscetíveis à tecnologia. O objetivo é manter uma população de pragas vulneráveis ao efeito inseticida da variedade transgênica e preservar os benefícios da tecnologia.

 

O percentual da área que deve ser usada como refúgio varia de acordo com a cultura transgênica utilizada. As áreas de refúgio devem estar localizadas a uma distância máxima de 800 metros da lavoura com tecnologia Bt e a planta deve ser da mesma espécie, além de ter ciclo e porte igual ao da variedade Bt. A proporção é de 20% para a soja e o algodão e de 10% para o milho.

Elevar a taxa de adoção de refúgio é um desafio que pode ser superado. Para que um índice maior de agricultores proteja corretamente a sua lavoura por meio da adoção do refúgio e, consequentemente, tenham melhor qualidade de vida, empresas produtoras de sementes, cooperativas, associações e acadêmicos já estão engajados em programas de educação e de extensão rural. O Boas Práticas Agronômicas é uma dessas iniciativas que tem sido fundamentais para ajudar os agricultores a tomar as decisões mais adequadas aos seus sistemas de produção.

Também chamado de BOAS pelos produtores, o programa é uma rede de produtores, consultores, especialistas de empresas e demais profissionais da cadeia produtiva que promove o diálogo sobre as melhores práticas para a preservação e a sustentabilidade da biotecnologia no campo, o aumento da produtividade e a redução de perdas em culturas de soja, milho e algodão Bt. Desde julho de 2015, o programa já impactou mais de 12 mil agricultores por meio de atividades interativas conduzidas por uma equipe multidisciplinar de profissionais em congressos do setor, feiras agrícolas e dias de campo.

Além dos números impressionantes que o Brasil já apresenta na adoção de tecnologias no campo, fundamentais para enfrentar os desafios da agricultura tropical, é necessário também que todo o setor apoie os programas de educação e de extensão rural, essenciais para a manutenção da eficiência, durabilidade da tecnologia e diminuição de insetos resistentes ao Bt. Informações técnicas e esclarecimento de dúvidas podem ser encontrados no site www.boaspraticasagronomicas.com.br.

Publicado por Portal Syngenta em 23/10/2017 16:54:02 Atualizado: 24/10/2017 13:51:37

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