MÍLDIO (Peronospora manshurica) – UTILIZAÇÃO DE FOSFITO NO MANEJO DA DOENÇA.

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O míldio (Peronospora manshurica) na cultura da soja é uma doença amplamente disseminada nas principais regiões produtoras do mundo e também ocorrem em todas as regiões brasileiras produtoras de soja, sendo que este fungo apresenta grande variabilidade genética e as perdas causadas pela doença em geral são muito elevadas, com prejuízos de 8% até 20% quando a infecção ocorre em cultivar suscetível e com alta severidade.
Os principais mecanismos de sobrevivência do míldio são sementes infectadas, plantas involuntárias e restos culturais contendo oósporos.  As condições climáticas que favorecem a ocorrência da doença consistem em elevados períodos de molhamento foliar, principalmente na fase vegetativa da cultura.
O principal mecanismo de controle da doença consiste na resistência genética, cuja tal, não faz parte do programa de melhoramento do Brasil, fazendo com que cultivares suscetíveis sejam amplamente cultivadas.
Diante disso, manejos devem ser feitos para minimizar os danos da doença assim que diagnosticada em campo, sendo necessária a combinação de formas alternativas de controle, que tende a propiciar um melhor e mais racional programa de manejo. A partir do pressuposto, uma das alternativas eficiente para tal, consiste na utilização de fosfitos para controle de oomicetos.
O termo fosfito é o nome genérico dado para os sais de ácido fosforoso (H3PO3) e originários de rochas fosfáticas. Os fosfitos apresentam em sua molécula um átomo de hidrogênio no lugar do oxigênio, e são formados pela reação de redução entre o ácido fosforoso a uma base, que pode ser hidróxido de potássio, manganês, dentre outros. O fosfito apresenta elevada solubilidade, rápida absorção pelas plantas, grande seletividade, ação sistêmica, com translocação via xilema e floema. No Brasil, os fosfitos são registrados como adubo foliar, contudo tem sido amplamente utilizado no controle de doenças foliares da soja ocasionadas por oomicetes, como é o caso do Míldio.
O mecanismo de ação dos fosfitos baseia-se na ação direta sobre o patógeno, reduzindo o crescimento (efeito fungistático) e com ação indireta, através da qual o fosfito é capaz de induzir respostas de defesa na planta (indução de resistência).
É importante salientar que alguns fosfitos podem apresentar sérios problemas quando associados, na mesma calda, aos óleos emulsionáveis, surfactantes e adjuvantes de vários tipos.
Concluindo, o controle de míldio na soja consiste na utilização de cultivares resistentes, equilíbrio nutricional da planta, rotação de variedades de soja dentro da propriedade, de maneira que a mesma cultivar não repita safra após safra no mesmo talhão e ainda a utilização dos fosfitos, são ações que resultam na combinação ideal para que o manejo de doença seja mais racional e efetivo, assegurando um sistema de produção mais sustentável, produtivo e que gere lucros ao agricultor.

 Luciano Mato Grosso
Confresa, 10 de janeiro 2019.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

 GRIGOLLI, F.J. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e Produção: soja 2013/2014. p 215.
FANCELLI, A.L. MANEJO DE NUTRIENTES E USO DE FOSFITOS NO CONTROLE DE DOENÇAS DE PLANTAS. Revista Cultivar. 2010. Disponível em: www.grupocultivar.com.br/noticias/artigo-manejo-de-nutrientes-e-uso-de-fosfitos-no-controle-de-doenças-de-plantas.
MARQUES, Leandro. FOSFITO: ação no controle de doenças em plantas. Disponível em: phytusclub.com/materiais-didaticos/fosfitos-acao-no-controle-de-doencas-em-plantas.
SILVA, O.C. DANOS CAUSADOS PELO MILDIO DA SOJA E USO DE FOSFITOS E ACIBENZOLAR-S-METHYL NO MANEJO DAS DOENÇAS DA CULTURA. Universidade do Paraná. Curitiba, 2011.

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