SOJA EM ÁREA DE PRIMEIRO ANO – OS 10 PASSOS PARA ALTAS PRODUTIVIDADES

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A região do vale do Araguaia e Xingu é considerada uma grande fronteira agrícola em constante crescimento no estado de Mato Grosso, onde a cada ano pastagens improdutivas e degradadas dão espaço a exuberantes lavouras de soja e milho, consolidando como um grande processo de transição da pecuária extensiva para a agricultura em grande escala e amplamente empresarial. Contudo, este processo de transformação das pastagens degradadas para áreas propícias ao plantio, é bastante criterioso e requer um amplo conhecimento da cultura a ser instalada.

Com o intuito de contribuir diretamente na rentabilidade dos produtores que ainda estão em processo de abertura de áreas na região, e não tem ao alcance algum profissional orientando-o diretamente na tomada de decisões, será descrito aqui 10 passos importantes nesse processo de conversão, que tende a contribuir diretamente no rendimento final em áreas de primeiro ano de cultivo da soja.

1 – Realizar o revolvimento do solo (gradagem) com uma Grade aradora pesada, que atinja os 20 cm de profundidade, onde normalmente usa-se a grade de 32 polegadas. Importante sempre efetuar o trabalho de gradagem do solo, respeitando a declividade do terreno.

2 – Após efetuar a primeira gradagem e certificar-se que o solo na camada de 00 – 20 cm foi revolvido, efetuar as devidas limpezas (raízes, pedras…) e posteriormente entrar com a distribuição de calcário dolomitico, na dosagem de 3 toneladas nessa primeira operação, volume que corresponde a metade da dosagem que será utilizada no preparo da área. Na distribuição de calcário é de extrema importância, realizar a aferição da faixa de distribuição, a sobreposição do produto, certificando-se que a cobertura do solo com o corretivo fique homogênea.

3 – Na sequência, incorporar o calcário distribuído com grade aradora de 28 polegadas, sempre verificando a profundidade e a qualidade da operação.

4 – Após incorporação, realizar a limpeza necessária na área (raízes, pedras…) e efetuar a distribuição da segunda dose de calcário, sendo essa uma montante de mais 3 toneladas. É importante que essa distribuição da segunda dose do calcário seja realizada em faixas diferentes da primeira operação, assegurando uma distribuição mais uniforme do corretivo.

5 – Na sequência da distribuição da segunda dose de calcário, realizar a incorporação deste no solo, com grade de 28 polegadas ou em alguns casos com histórico de saturação de água no solo que posteriormente tende a gerar problemas na colheita com atolamento, faz-se essa operação de incorporar o calcário com uma grade niveladora bem aberta. Após tal operação, recomenda-se mais uma catação/limpeza do terreno retirando raízes, pedras e materiais indesejáveis de uma maneira geral.

6 – Feito essa incorporação do calcário e a devida limpeza da área, sugere-se que deixe o terreno extremante nivelado, para que o sistema de plantio direto nas próximas safras não seja interrompido em função de terreno mal preparado na abertura da área, onde plataformas de porte elevado não conseguem copiar o terreno ou equipamento de distribuição tem trafegabilidade dificultada em decorrência do mal preparado do solo. Importante salientar que esse nivelamento do terreno com a utilização de plaina, deve ocorrer anteriormente à distribuição do calcário.

7 – Com o terreno preparado, realizar a distribuição de Super Simples à lanço na dosagem de 300 kg.ha-1, totalizando 60 pontos de P2O5, fertilizante esse que vai contribuir diretamente na formação de palhada antes do plantio da soja, pois vai nutrir o milheto que estará em desenvolvimento na área.

8 – Na sequência da distribuição do fertilizante e próximo do inicio das chuvas, realizar a distribuição de milheto, na dosagem de 20-25 kg.ha-1, objetivando a formação de palhada. Posteriormente, incorporar o milheto com uma corrente faca e se necessário realizar uma limpeza final dessa área, retirando raízes, pedras e outros materiais não desejados. O milheto enquanto recebe chuvas durante o plantio das áreas consolidadas e adubado com o Super Simples forma uma boa palhada, facilitando a plantabilidade, minimizando erosão e contribuindo diretamente na estruturação física e química desse solo.

9 – Efetuar a dessecação pré plantio da área com no mínimo 10 dias de antecedência. Durante a dessecação pré-plantio ou se realizar uma operação de plante aplique com produtos de pré-emergência (DUAL GOLD, SPIDER…), adicionar junto na calda de pulverização 20 a 30 gramas de ativo de fipronil, a fim de eliminar cupins e formigas dessa área.

10 – No plantio da soja nesses terrenos de primeiro ano, para região Araguaia e Xingu (índice pluviométrico elevado), tem-se posicionado o plantio sem tratamento de semente (fungicida/inseticida), realizando apenas a inoculação das sementes com 4 a 5 doses de inoculante líquido e no mínimo 4 doses de inoculante turfoso. Importante utilizar sementes de qualidade, isenta de patógenos. O questionamento mais frequente para essa modalidade de plantio sem TS refere-se a perdas de plantas (estande final) por hectare, contudo, para a região em questão não tem sido observado perdas de planta pela ausência desse tratamento. O número de nódulos (Rhizobium) em área sem tratamento de sementes com fungicida e inseticida é muito elevado, contribuindo diretamente no resultado final.

Nos plantios em área de primeiro ano, tem-se utilizado com maior frequência materiais de ciclo médio a tardio, onde um dos mais utilizados na região Xingu e Araguaia é a cultivar M-SOY 8644 Ipro, na população final de 180 a 200 mil plantas, proporcionando resultados bastante positivos nesse modelo de cultivo, com rendimentos superiores a 65 sacos por hectare em área de abertura.

A adubação com melhor custo/beneficio observado para essas áreas de abertura, consiste no fornecimento de 120 pontos de K2O (200 kg de cloreto de potássio) e 130 pontos de P205 sendo esse fornecimento dividido em duas etapas, onde 60 pontos são distribuídos na modalidade à lanço via Super Simples (300 kg.ha-1), e 70 pontos via sulco de plantio. Importante que este P2O5 fornecido via sulco de plantio contenha em sua formulação nitrogênio, o que melhora o arranque inicial das plantas, devido a disponibilidade do nitrogênio na fase inicial, onde ainda não tem o processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN). Não exceder mais que 20 kg de N por hectare via fertilizante de base para que a nodulação não seja comprometida.

RESUMO

Calcário dolomítico = 6 toneladas, dividindo a aplicação em duas etapas conforme descrito acima.

FÓSFORO (P2O) = 130 pontos, onde 60 pontos é fornecido com o Super Simples na modalidade à lanço e 70 pontos via sulco de plantio, com um fertilizante que contenha nitrogênio em sua formulação.  Não exceder 20 kg.ha-1 de nitrogênio.

POTÁSSIO (K2O) = 120 pontos é suficiente para obtenção de bons resultados, a fonte mais usada é o cloreto potássio (200 kg.ha-1), distribuído antecipadamente ao plantio e de preferência na mesma semana em que será realizado essa semeadura.

VARIEDADE = Em áreas de primeiro cultivo, normalmente utiliza materiais com ciclo médio a tardio, por apresentar menores exigências de fertilidade.

TRATAMENTO DE SEMENTE = Aplicando a modalidade de plantio de soja sem tratamento com fungicidas e inseticidas nas áreas de primeiro ano, os resultados obtidos foram bastante positivos, decorrentes do alto índice de formação de nódulos. Caso o produtor não confie em semear uma semente sem o tradicional tratamento de semente, é sugerido então que este procure utilizar produtos que gere menor agressividade sobre a bactéria. O Standak Top poderá ser uma boa opção para tal modalidade.

INOCULAÇÃO = Utilizar inoculantes de empresas com know how no seguimento, fazendo uso do inoculante líquido e turfoso, conforme descrito anteriormente. A coinoculação com Azospirilum é de extrema importância para um manejo de altas produtividades. Para saber mais acesse http://agroreporter.com.br/coinoculacao-inoculacao-com-azospirilum-brasilense/

Realizando o plantio sem fungicida no tratamento da semente, é importante antecipar a primeira aplicação de fungicida via folha.

Engº Agrônomo Luciano Alves de Oliveira.

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