Superpopulação de catetos e queixadas causam prejuízos a agricultores do Vale do Araguaia e Xingu

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Os agricultores do Vale do Araguaia e Xingu, além de todos os entraves inerentes a infraestrutura regional, com um alto custo de produção e muitos outros fatores desafiadores para o setor, agora precisam acrescentar um item a mais na lista de desafios para produção de grãos na região, pois o ataque de Queixadas e Catetos está gerando prejuízos financeiros consideráveis.

O queixada (Tayassu pecari) e o Cateto (Tayassu tajacu) são espécies de animais silvestres que estão atormentando alguns produtores da região, causando elevados prejuízos as lavouras, especialmente as de cereais. Estas espécies vivem em varas (bandos) com registros de até 100 indivíduos ou mais por bando, que sem o predador natural, tem se reproduzido de maneira descontrolada. O Cateto macho, atinge sua maturidade sexual com cerca de 1 ano de vida e as fêmeas em aproxidamente 8 meses e sua gestação se dá após um período de 5 meses, nascendo 2 filhotes. Já a gestação do queixada dura em torno de 280 dias, o que deixa evidente a alta taxa de reprodução.

Os prejuízos são constantes, pois esses animais atacam as lavouras desde o plantio permanecendo no local até a maturação, pisoteando e se alimentando das culturas, principalmente do milho.

A solução para esse problema deveria ser de responsabilidade das autoridades, pois o agricultor não possui meios legais para isso, tendo em vista que o abate de animais silvestres é proibido pelo IBAMA. No entanto, até que os órgão e entidades do meio não se manifestam sobre a problemática, os produtores na tentativa de espantar esses animais, usam de inúmeras ferramentas, como: fogos de artificio, motocicletas, bandeiras com plásticos que se movimenta com o vento, porém os porcos estão perdendo o medo e frustrando os agricultores.

Até que entidades não se manifestem, uma das medidas que pode ser adotada para algumas áreas em especifico, seria a abertura de um canal (vala), no entorno da área. Em avaliações feita a campo, foi diagnosticado que esses animais não conseguem ultrapassar esses canais (vala), quando bem construídos, impossibilitando o acesso as lavouras. Na abertura desta vala, devem-se deixar rampas de acesso, para que se por ventura algum animal caia dentro, possa retornar a mata. Além dessas rampas de acesso, deixar um espaço que trafegue uma motocicleta no entorno desta vala é de extrema importância para o monitoramento da mesma e identificação de locais com tentativas de fuga. Ressalta-se a importância de considerar os níveis do terreno para abertura da vala, pois em áreas com grandes declives podem originar erosões, e ainda utilizar concha para abertura da vala em forma de V, evitando que o solo venha ceder.

A abertura desta vala tem sido a alternativa de controle que mais obteve eficiência na interação entre porcos e lavoura e dependendo da intensidade de ataques pode ter um custo beneficio alto. Como exemplo, um talhão em meio a uma mata, cuja área seja de 2000 metros por 2000 metros (400 ha), caso seja efetuado a vala em todo o entorno desse quadro, demandaria de 8 km de vala, sendo que na região prestadores de serviços operam de R$1,80 a R$2,00 por metro, o que totalizaria um custo de R$16.000,00 para esta situação. A partir do exposto, cabe ao agricultor avaliar os prejuízos causados e correlacionar com o custo da elaboração desta vala.

Uma outra alternativa para conter a invasão destes animais e consequentemente reduzir os danos na lavoura, consiste na construção de cercas com tela, que quando bem confeccionado impossibilita a entrada dos porcos. No entanto, esta medida tem custo elevado, podendo variar de R$7,00 a 18,00 reais o metro construído. A utilização de cercas elétricas convencionais não tem mostrado eficiência.

No entanto, espera-se que estudos sejam realizados para redução populacional destes animais, bem como alternativas mais simples e eficiente para esse problema, tendo em vista que agricultores e técnicos temem que a situação se agrave a cada ano, devido à alta taxa de reprodução e venha num futuro muito próximo fugir totalmente do controle.

 

Luciano Mato Grosso

Modelo de vala para contenção de catetos e queixada.

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