TRAPOERABINHA, ALHO BRAVO (Murdannia nudiflora)

0

A Murdannia nudiflora é conhecida popularmente como trapoerabinha ou alho bravo, pertencente à família Commelinaceae, vem apresentando grande importância agronômica, pois tem aumentado sua infestação nas culturas, o que tem gerado grande interesse sobre as práticas de manejo desta planta.

A trapoerabinha apresenta hábito de crescimento anual e se reproduz por sementes e órgãos vegetativos (estolões). O desenvolvimento vegetativo é lento até atingir os 30 dias, depois desse período, ocorre formação de estolões e seu desenvolvimento passa a ser mais vigoroso. No decorrer do seu ciclo essa espécie pode produzir aproximadamente 4.600 sementes, isto é, requer um manejo técnico eficiente para evitar sua propagação e consequentemente competição direta com as culturas comerciais.

O aumento na infestação da trapoerabinha deve-se principalmente as características preferenciais inerentes a espécie, tais como seu tipo de reprodução e ainda seu desenvolvimento rápido. Outro fator de destaque, que tem contribuído diretamente no aumento da infestação em sistemas agrícolas é a utilização de culturas geneticamente modificadas, tolerantes ao glifosato, onde o manejo de ervas daninha (espécies invasoras) limitou-se basicamente com a aplicação deste herbicida, cujo tal apresenta controle insatisfatório sobre a Murdannia nudiflora, sendo necessários outros métodos de controle.

A integração de manejos culturais como o aumento da palhada no solo e o uso de herbicidas de alta eficiência de controle, torna-se necessários para a redução da infestação por trapoerabinha. Porém, deve-se atentar ao uso de herbicidas preservando a eficiência de controle pela rotação de ativos e a preservação da seleção de biótipos resistentes. No Brasil, apenas três herbicidas são registrados para o controle de Murdannia nudiflora, sendo: glyphosate, bentazon e atrazine (MAPA, 2016).

Na prática, vários ativos são posicionados para eventual controle da trapoerabinha (puro ou em associação), como: imazethapyr (Pivot), Glyphosate (Roundup), S-metolacloro (Dual Gold), Clorasulam metílico (Pacto), Atrazine e inúmeros outros ingredientes ativos de diferentes mecanismos de ação.

Dentre os herbicidas posicionados para o controle da Murdannia nudiflora, destaca-se a eficiência do atrazine, que em trabalhos de pesquisa mostrou-se o ativo mais eficiente no controle desta invasora. Trabalhos realizados com 1.000 g i.a. ha¹ de atrazine (2 litros de atrazina 500), resultou em níveis de controle superiores a 95%. Esses resultados de pesquisas corroboram com o que frequentemente se visualiza no campo, onde áreas com cultivo de soja subsequente ao milho (atrazine no manejo) apresenta menor ou nenhuma infestação de trapoerabinha que quando comparado a áreas em que não utilizou o atrazine em seu manejo pós-soja.

Outro ingrediente ativo que tem mostrado grande eficiência no controle desta invasora é o Clorasulam metílico (Pacto), onde aplicações de 40 g do p.c ha¹, apresentou satisfatório controle. Porém, não possui registro no MAPA para controle desta planta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, o manejo de Murdannia nudiflora com o herbicida atrazine na safrinha (milho, milheto, braquiária ruziziensis, Marandu…) tem assegurado um eficiente controle desta erva invasora, proporcionando uma boa relação custo/beneficio para o agricultor. Mesmo em áreas de soja em que não é efetuado o plantio de uma segunda safra (safrinha), este manejo além de dar uma supressão na trapoerabinha, elimina a soja tiguera contribuindo diretamente com o vazio sanitário. Ressalta-se a importância da adição de aditivo (óleo mineral) e ainda a presença de umidade para que o herbicida tenha completa eficiência. Outro fator de destaque é o período de carência entre a aplicação do atrazine e o plantio da leguminosa, devendo este ser igual ou superior a 90 dias após a aplicação.

Já para o manejo da trapoerabinha com Clorasulam metílico (Pacto), este deve ser feito em pós-emergência da soja, quando a infestação for diagnosticada e anteriormente a formação de estolões e planta filha (30 DAE) e ainda atentar-se a aplicação antes do fechamento das linhas para evitar o efeito guarda-chuva da cultura sobre a planta.

A integração de manejos culturais, aliado ao de ativo dos herbicidas torna-se necessário para o eficiente controle de Murdannia nudiflora.

 Foto: Luciano Mato Grosso – Murdannia nudiflora (alho bravo, trapoerabinha).

Foto: Luciano Mato Grosso – Murdannia nudiflora (alho bravo, trapoerabinha).

Luciano Mato Grosso

REFERÊNCIA

ERASMO, E.A.L et al. FENOLOGIA E ACÚMULO DE MATÉRIA SECA EM PLANTAS DE Murdannia nudiflora DURANTE SEU CICLO DE VIDA. Planta daninha, Viçosa – MG, v.21, n.3, p.197-402 2003.

 VOLF, M.R. et al. CONTROLE DE Murdannia nudiflora EM PÓS COLHEITA DA SOJA. Revista brasileira de herbicidas. V 16, n1, p.11-19, jan./mar. 2017.

Compartilhar

Sobre o autor

O agroreporter é um blog sobre o Agro no Brasil e no mundo, trazendo notícias relevantes, agenda com os principais eventos e cursos do setor e conteúdos inéditos para o leitor acompanhar. Fique por dentro! Compartilhe e comente nosso conteúdo nas redes sociais.

Deixe uma resposta